Fotografias de Paulo Rodrigues


Há mais de um século, uma das mais suntuosas obras arquitetônicas construídas no Amazonas está à mercê da floresta
Batizado como as Ruínas de Paricatuba (palavra que significa local de grande concentração de Paricás, erva alucinógica utilizada nos rituais indígenas), o prédio onde funcionou a cadeia pública do município de Iranduba( localizado a 25k de Manaus), a primeira escola técnica do Amazonas e, logo após, o internato para portadores de hanseníase do estado é marcado por uma história de abandono e depredação.
Ao longo de anos, a distância dos grandes centros urbanos afastou, aos poucos, o interesse do poder público e, consequentemente, condenou o local ao esquecimento.
Hoje, do prédio luxuoso e imponente, construído com materiais importados da Europa resta apenas a estrutura de alvenaria. Ela resiste em pé para dar provas de que faz parte da história do estado, apesar do descaso com o patrimônio público.


Árvores que invadem a história

Em frente ao prédio secular, invadido pelos braços de Apuizeiros, é difícil imaginar que, em 1889 ele era modelo de sofisticação arquitetônica. A então hospedaria para imigrantes italianos— vindos da Europa para trabalhar no estado — era rica em luxo e sofisticação.
A estrutura de alvenaria foi construída com tijolos e vigas portugueses de alta durabilidade.

As janelas no estilo colonial foram depredadas. E, debaixo de centenas de folhas de árvores podemos descobrir, ainda, a singeleza dos azulejos franceses, trazidos na época do apogeu econômico do ciclo da borracha.
“É uma construção que foi feita para durar a vida toda. Todas essas paredes internas era revestidas com azulejo, todos os assoalhos eram de pinho, as calhas eram de cobre, as caixas de descarga eram ferro.
As câmaras foram criadas como imensos aposentos para hospedar os imigrantes italianos. Mas, ao longo dos anos, eles foram utilizados para abrigar presidiários e, em seguida, portadores de hanseníase. Hoje, elas servem como espaço para as crianças da comunidade jogarem futebol de salão, com direito até a barreiras e rede para gol.
“Essas salas eram imensas, mas aqui existia muita segregação, principalmente na época do hospital de hansenianos. Há relatos de que aqui houve uma grande festa. Eles colocaram umas cadeiras no meio para dividir. De um lado dançavam os doentes e do outro os sadios. Existia um parlatório onde um vidro divida os sãos e os doentes. As crianças que nasciam aqui eram levadas para adoção lá no Gustavo Capanema (Manaus). Tem mulheres aqui que tiveram sete filhos e não conheceu nenhum.
O mato invadiu o salão principal do prédio. Ele dava acesso a pequenas salas, refeitório e banheiros, onde ainda hoje restam vasos de louça inglesa. O telhado foi completamente depredado na época da transferência dos doentes para a capital do Amazonas. As janelas também não resistiram a ação dos vândalos. O que pode ser encontrado ainda são os azulejos que revestiam as paredes dos lavabos.
Na área de C&T a indicação de Rosângela é que se realize um inventário sobre as principais espécies de plantas encontradas no local.
História
É da boca dos jovens guias de Paricatuba que conhecemos a história do local. Eles contam que o prédio foi construído pelo governo do estado para servir como uma grande hospedaria para imigrantes italianos. Foi abandonado logo após a inauguração. Em seguida o local foi administrado por padres espiritanos franceses que fundaram o Liceu de Artes e Ofícios.
“Depois o prédio virou uma Casa de detenção para recolher sentenciados. Mais tarde, eles foi transformado num hospital para receber os hansenianos, porque o Governo da época queira dizer para o mundo que não existia mais essa doença no estado. Então, eles escondiam os chamados “ leprososos” aqui. Permaneceu como hospital durante 60 anos. Mas, quando foi fundada a Colônia Antônio Aleixo, o último bairro de Manaus em relação ao Rio Negro, eles começaram a falar que os moradores daqui estavam contaminando a água que chegava até Manaus. Por isso, decidiram acabar com tudo aqui. Então destruíram o hospital”, disse o jovem guia Aldenílson Souza, 18.





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